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Aprendendo a desenvolver a autonomia das minhas filhas

Por Colunistas - 8 de agosto de 2019

Desde que Maria Eduarda e Maria Clara nasceram, hoje estão com 11 anos, iniciei uma série de leituras sobre criação de filhos, desenvolvimento motor, cognitivo, emocional e afetivo na esperança de aprender o que não se aprende nos livros: a ser mãe da melhor maneira possível. É claro que as pesquisas muito contribuíram para as minhas escolhas de brinquedos e brincadeiras; me ensinaram a criar um ambiente cheio de estímulos para as pequenas, o que muito contribuiu para o desenvolvimento delas. A questão é que as pequenas cresceram e esse crescimento veio acompanhado de uma série situações que, para mim, ainda são muito difíceis de lidar.

Uma dessas situações, até pouco tempo (bem pouco tempo mesmo, até três meses atrás), era deixar toda a responsabilidade dos estudos e lições de casa nas mãos de Clara e Eduarda. Eu, simplesmente, não conseguia me encontrar com elas sem perguntar quais atividades tinham para aquele dia, me oferecia para explicar algo; exigia que iniciassem o quanto antes a realização das tarefas e ainda fazia um cronograma de estudos com os conteúdos da unidade.

Tudo isso seria totalmente normal se eu não me estressasse e ou ficasse nervosa com qualquer negativa por parte das meninas. Vale salientar que Maria Clara e Maria Eduarda são alunas de excelentes notas e são muito responsáveis e aplicadas em suas tarefas. O problema estava em mim: não conseguia acreditar que elas poderiam caminhar sozinhas.


Maria Clara e Maria Eduarda em apresentação da escola

Uma palestra promovida pela escola Criativa me fez iniciar uma mudança de comportamento. Pude ouvir do coach Antonio Ferreira Junior, palestrante de uma reunião de pais e mães no meio desse ano, algo simples, mas que muito me ajudou a iniciar esse processo de aprender a desenvolver a autonomia das minhas filhas nos estudos e, consequentemente, na vida. Levei para casa naquele dia que eu precisava ser mais leve nas cobranças e relaxar mais com as meninas. E comecei a exercitar isso, apesar de não conseguir ainda me desvincular das atividades delas.

Isso mudou de verdade em uma noite, quando fui buscar Clara e Eduarda na casa de uma coleguinha. Na oportunidade, a mãe dessa amiga das minhas filhas me convidou para entrar e acabamos por conversar um pouco. Falei dessas minhas angústias, preocupação, na época, com uma determinada disciplina e fui surpreendida pela fala da mãe:  – Adriana, não sei quais atividades de “A”, não pergunto, nem as avaliativas. Ela chega, vejo que passa a tarde no quarto estudando, trabalhando nas tarefas. Tem notas ótimas. E ainda tem a rotina dela na casa, suas tarefas aqui. – E contou acerca dessa rotina e eu fiquei boquiaberta. E, acreditem, aquela mãe, a quem admiro por demais, inclusive, me fez repensar o quanto eu estava tentando agarrar as responsabilidades das minhas filhas com as minhas mãos e como isso me custava: eu ficava nervosa e acabava por discutir com minhas Marias sem necessidade.

O resultado foi um segundo ciclo escolar muito mais leve , pelo menos para mim. Claro que, sempre ao chegar em casa, continuo a perguntar se as tarefas já foram feitas e se precisam de algo. Mas só. E, creiam, nada deixou de ser feito nesse período. Nenhuma avaliativa foi prejudicada. E eu fui mais feliz nesse período. E não podia ser diferente, pois, tenho duas filhas lindas, carinhosas, inteligentes, responsáveis, disciplinadas, criativas, brincalhonas que dão conta sim de uma série de compromissos que a escola exige e ainda conseguem manter uma rotina diária de leituras livres que me enchem de orgulho.

Confesso que esse é um processo. Um exercício diário. Às vezes, ainda caio em tentação e cobro uma ou duas vezes. Mas, melhorei muito. A terapia tem me ajudado muito nessa tarefa. Mariana Mattos, nossa psicóloga, acaba por trabalhar em conjunto determinadas questões. Afinal, o desenvolvimento da autonomia de nossas filhas é o nosso principal desafio. Papel nosso o qual devemos desempenhar de forma leve, com mais sorrisos e muito amor.

E você, como lida com essa questão? Como trabalha a autonomia de seu filho ou filha no dia a dia? Compartilha com a gente deixando seu comentário. Cada experiência nos ajuda a aprender ainda mais.

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