Portal Viver Mais



Lições de vida que a recuperação escolar dos filhos nos ensina para 2017

Por Adriana Matos em 22/12/16 23:41 - Atualizada em 23/12/16 23:52
(Foto: )

Semana passada, tive a oportunidade de conversar um pouco com a gestora da escola onde minhas filhas estudam. Fizemos juntas o balanço do ano de 2016, ou seja, o que eu e algumas outras mães da mesma turma acreditamos que deu certo ou não, e apresentamos algumas sugestões para 2017 do que pode permanecer, mudar ou ser acrescentado. Acho válida essa avaliação e, na oportunidade, acabamos gravando um vídeo direcionado às pessoas que concluíram o ano letivo depois da maioria, ou seja, ficaram em recuperação. É uma pequena mensagem para as famílias e para os alunos que se viram às voltas com as avaliativas da chamada recuperação. Vejam o vídeo com a mensagem de Viviane Santos e, logo depois, algumas reflexões minhas que, acredito, servirão para que possamos repensar algumas atitudes para um 2017 ainda mais juntinho de nossos filhos. 

 



Espero mesmo que as provas tenham sido um sucesso e que seu filho tenha alcançado êxito, mas meu objetivo maior é que essa minha reflexão  possa servir para que tenhamos um ano de 2017 ainda mais proveitoso junto a nossos filhos e filhas e que a escola se torne um lugar ainda mais atrativo na vida destes. Tanto o vídeo quanto o último encontro meu com a escola me fizeram refletir sobre alguns pontos que considero importantes nessa reta final do ano. Quando menos percebermos, 2017 já estará na nossa porta e o novo ano letivo também e, para que você não seja surpreendido ou surpreendida novamente pela notícia de que provas de recuperação farão parte do teu final de ano, alguns pontos realmente precisam ser levados em conta. Vamos a eles.


A FAMÍLIA EM RECUPERAÇÃO


Gostaria de começar minha reflexão a partir desta observação feita por Viviane Santos no vídeo: “a família está em recuperação também”. Independente do que gerou essa situação – se algum problema de aprendizagem, se uma metodologia inadequada por parte do professor, se a ausência do pai e ou da mãe por “ns” motivos na vida escolar da criança e adolescente, ou mesmo por irresponsabilidade do aluno ou aluna -, o fato é que o processo de recuperação que, a essas alturas, já chegou ao fim, precisa ter servido de pretexto para que toda a família tenha se reunido e conversado com essa criança ou jovem sobre as consequências de uma reprovação. Se ainda não sentaram juntos, é hora de refletirem e escutarem um ao outro sobre o que pode ter gerado esse resultado negativo e pensarem uma forma para que 2017 realmente seja um ano diferente para a família como um todo. 

Se o apoio da família foi fundamental nesse processo, como ressaltou Viviane Santos, acredito que o mesmo deve ocorrer durante todos os meses, unidades e etapas da vida escolar de nossos filhos. Creio que jogar na cara o que poderia ter sido “consertado” durante o ano não é um caminho eficaz, assim também como o “passar a mão pela cabeça”. As provas foram feitas. A aprovação ou reprovação agora são uma realidade. O fato é que notas abaixo da média são um sinal de que algo não anda bem e que, portanto, precisa ser levado em conta pela escola e pela família.


FILHOS QUEREM ATENÇÃO

                          null

É muito sério o que Viviane Santos frisou em sua fala sobre o fato de muitas crianças e adolescentes, repetidamente, ficarem em recuperação a fim de chamarem a atenção de seus pais. Infelizmente, o corre-corre de muitas mães e pais, por conta de uma jornada de trabalho exaustiva, acaba por resultar em distanciamentos, ausências, falta de diálogo e de assistência em relação às necessidades que vão surgindo ao longo do ano. Esse ano de 2016, por exemplo, pouco estive na escola das minhas filhas para conversar com a professora, participar de reuniões. Os motivos foram a chegada de minha terceira filha, que me impediu de sair à noite para os encontros, e também a minha dissertação de mestrado que tomou muito o meu tempo. Porém, tirando os dois últimos meses que antecederam a minha defesa, em novembro, não deixei que meu cansaço por conta das horas de escrita e de mamadas me afastassem das atividades de casa, da escuta, das conversas sobre o dia a dia das minhas filhas na escola.

Minhas filhas são muito comprometidas com os estudos e isso facilita muito quando o assunto é cumprir deveres, regras. Mas, infelizmente, nem toda mãe e nem todo pai tem o privilégio que tive esse ano de, mesmo estudando, poder ficar em casa com minhas filhas. O que quero dizer é que não podemos deixar os nossos afazeres sufocarem nossa relação com nossos filhos e que esse olhar, essa atenção, de alguma forma, precisam acontecer. Ano que vem, volto a ensinar e ficarei mais distante, fisicamente, das minhas filhas. O que pretendo fazer para me fazer presente? O que já fazia antes de sair de licença para o mestrado:

- acordar mais cedo para arrumar as minhas filhas para a escola;

- tentar almoçar com elas ao menos três vezes por semana, dias em que também as buscarei na escola;

- usar o horário de almoço para dar as orientações sobre estudos e outras atividades do restante do dia;

- ao menos por duas tardes, levá-las ao ballet e acompanhar de perto as atividades escolares;

-orientar as atividades por telefone no meu intervalo de aulas nas tardes em que não estarei em casa;

- manter uma rotina de conversa antes de dormirem (gostamos de contar o que de bom ou ruim aconteceu no nosso dia ou sobre as livros que estamos lendo);

- me comprometer a não trabalhar (escrever para o blog, fazer planejamentos, corrigir redações ou provas, produzir artigos) ou estudar aos domingos, mas realmente ficar com elas.

- voltar a escrever bilhetinhos e deixar perto da cama, ou na agenda escolar, ou dentro da lancheira etc.

E você, como pretende se fazer presente na vida de seus filhos em 2017?


GARANTIR O APRENDIZADO


Isso me lembra algo muito interessante que Viviane também comentou no vídeo: a realização de oficinas para garantir o aprendizado de conteúdos que não foram apropriados durante o ano. Caso a escola de seu filho somente trabalhe com aulas expositivas, ou seja, revisão da lista de assuntos a serem cobrados, seria interessante que você sugerisse algo mais significativo para 2017, como é o caso do que trouxe Viviane, ou seja, oficinas com especialistas nos assuntos, ou mesmo realização de palestras, ou apresentação de vídeos, pois, o objetivo desse processo precisa mesmo ser alcançado: fazer com que aqueles conteúdos realmente sejam aprendidos para o ano seguinte.


E AS CRIANÇAS COM PROBLEMAS DE APRENDIZAGEM?


   null


Sim, o apoio da família, principalmente o apoio emocional, é fundamental, como salientou Viviane Santos, em todas as horas na vida de uma criança que apresenta alguma dificuldade para aprender. Conheço crianças que ficaram em recuperação em todas as disciplinas esse ano, mas são alunos que apresentam alguma deficiência ou déficit cognitivo ou mesmo algum problema de aprendizagem. A estas crianças ou jovens e aos seus pais e mães, deixo bem claro que a palavra de ordem é acreditar no potencial que esses alunos têm e não deixá-los desanimar ou acreditar que são incapazes ou menos inteligentes que seus colegas de classe que não estão na mesma situação. Semana passada, tive a oportunidade de estar com uma dessas crianças. Disse para ela que aquela era uma avaliação a mais para que ela pudesse atingir a nota necessária e estudar aqueles assuntos que não tinham sido aprendidos. Mas que ela tinha aprendido bastante durante o ano e que ela era uma pessoa muito inteligente e corajosa por aceitar fazer todas aquelas provas. Hoje, soube que essa criança foi aprovada e que ela estava vibrando com o resultado. Precisamos agir assim durante todo  o ano: acreditando que cada conquista de nossos filhos é única, individual, não pode ser comparada a colegas e que nosso apoio fará a diferença no seu dia a dia na escola.


ASSUMINDO RESPONSABILIDADES


Algo que gostaria de enfatizar aqui é que muitos alunos, mesmo tendo todo o apoio e presença por parte da família, mesmo não apresentando diagnóstico de problemas de aprendizagem ou déficit cognitivo, infelizmente, durante todo o ano, se mostram pessoas relapsas, não dão importância ou atenção aos compromissos da escola. Essas pessoas existem e, sinceramente, a minha opinião é que, seja em escola pública ou em escola privada, as avaliativas de recuperação devem ser feitas sim, mas a responsabilidade precisa ser assumida. Isso significa que as férias, viagens e presentes desse jovem precisam ganhar um significado especial que sirva de reflexão para 2017. Acredito que não conseguiremos resultados diferentes se continuarmos a premiar o ano inteiro de indisciplina e irresponsabilidade com um celular novo, uma viagem tão esperada e cobrada o ano inteiro ou aquela roupa de marca.

Já no caso de crianças, a reprovação, na minha opinião, acaba se apresentando como um problema a gerar outros problemas: afeta a autoestima e não resolve a questão da aprendizagem. A criança não consegue medir as consequências de uma tarefa não feita; não percebem, muitas vezes, a necessidade de estudos prévios e organizados para a realização das avaliativas etc. Eu sempre digo que uma criança que não atinge boas notas – com exceção dos casos já citados – não é responsável sozinha por isso, como já discutimos acima. Para mim, que sou professora, ou estamos falhando em algo e precisamos nos autoavaliar para percebermos onde podemos melhorar para atingirmos o alvo que é a aprendizagem dessa criança ou os pais estão falhando no quesito orientação, apoio, imposição de limites, atenção, organização de uma rotina  de estudos etc. 

O certo é que esse processo chamado recuperação precisa servir para pensarmos em questões tão simples e importantes para alunos, família e escola, como os que aqui coloquei e que o ano de 2017 ganhe o significado que o estudo precisa ter na vida de nossos filhos, ou seja, a alegria de conhecer, ser ferramenta de apoio para a formação de nossas crianças e adolescentes enquanto pessoas e futuros profissionais de uma sociedade  que tanto necessita de indivíduos cada vez mais humanizados e humanizadores. Para isso, a tabelinha escola e família é de fundamental importância para que o ano de 2017 seja recheado não apenas de boas médias, mas de presença, atenção e palavras que garantam uma aprendizagem realmente significativa de nossos filhos.

Espero que tenham gostado do post, apesar de extenso, pois amei escrevê-lo, uma vez que também acabei refletindo muito sobre minhas atitudes enquanto mãe e professora. Um grande abraço e até a próxima!




Comentários

AVISO - Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie através do nosso formulário de contato.

Adriana Matos e Cristiane Melo


Somos Adriana Matos e Cristiane Melo. Mulheres apaixonadas pela vida, pela profissão que escolhemos, pela família e pelas filhas. Criamos o blog para inspirar as pessoas a viverem mais e melhor, de forma que tenham qualidade de vida e (re) aprendam a viver diariamente de maneira plena e saudável, cuidando de si e do outro, superando obstáculos, alimentando projetos, estabelecendo metas e realizando sonhos. saiba mais

Vídeos


Doar sem dúvida é um atitude altruísta e que faz bem para quem recebe e muito bem para quem doa. Eu particularmente acredito que estamos aqui na terra passando um tempo e que ser voluntário, ajudar ao próximo e se doar é uma de minhas missões neste mundo. Isso não se trata de ter um bom coração, mas de saber que somos todos irmãos, filhos de um mesmo Pai e que quando fazemos algo por alguém estamos colaborando para que o universo seja mais harmonioso. Veja mais

Parceiros


Arquivos


Mais Lidas


Instagram


Desenvolvido por: