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Qual o seu olhar sobre os adolescentes que te cercam?

Por Vanessa Rodrigues / Psicóloga - 23 de fevereiro de 2020

Foto: Psicóloga Vanessa Rodrigues

Adolescentes estão em uma fase de muitas descobertas: não são mais crianças, mas também não são adultos. Têm novas obrigações e responsabilidades mas, ao mesmo tempo, perdem a complacência e compreensão dos adultos diante de seus erros (coisa que tinham enquanto eram crianças).
Ao mesmo tempo, seus corpos vivem uma enxurrada hormonal, incluindo aí a sexualidade normalmente no auge e o cérebro ainda em fase de maturação, o que pode dar aquela sensação de que nada de ruim vai lhes acontecer, de que podem arriscar suas vidas e de que são invencíveis.
Em contrapartida, temos um mundo conectado como jamais houve: no Instagram, as pessoas postam seus sucessos e felicidade completa, mesmo que tudo não passe de uma vida fake. Assistindo a isso, os adolescentes sofrem mais. Sofrem quando sentem dificuldade em expressar o que sentem, sofrem quando acreditam que suas vidas são horríveis e que as constantes brigas com suas famílias são fruto da pessoa horrível que sentem que são.
Percebem o conflito?
Destaco porque, no Brasil, a população entre 15 e 29 anos é a que mais atenta contra a própria vida.
Na prática clínica, o que mais ouço não só de adolescentes, mas também de jovens adultos, é a falta que faz um diálogo bacana em casa, aceitação da família e de que acreditem que realmente estão sofrendo, pois, muitos amigos e familiares teimam em dizer que “é tudo frescura, mimimi”.
O alerta vem hoje, em pleno domingo de carnaval, pois é justamente em tempos festivos que pessoas vulneráveis acabam sentindo-se piores, pois estão tristes enquanto, teoricamente, a maior parte da população está festejando feliz e alguns até curtindo o feriado em um lindo e elegante hotel à beira mar.
Não invalidem o discurso adolescente, não pense que é frescura ou falta do que fazer. Acolha, ouça, ofereça ajuda, carinho e muito amor?

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