Fumar vape faz menos mal? Entenda o efeito dos “pods” no organismo
Apesar de proibidos no Brasil, os cigarros eletrônicos — também chamados de vapes ou pods — estão ganhando popularidade, especialmente entre jovens. Isso tem contribuído para o aumento do número de fumantes no país, após quase duas décadas em queda. No entanto, esses dispositivos não são inofensivos nem necessariamente mais seguros do que os cigarros tradicionais.
O que são os vapes e o que contêm
Os vapes são compostos por uma pequena câmara que vaporiza um líquido que normalmente contém nicotina e outras substâncias, muitas delas pouco estudadas ou desconhecidas. Eles têm um sistema de aquecimento (atomizador), bateria e bocal. Além da nicotina, o líquido inclui solventes como glicerol e propilenoglicol, e ao serem aquecidos podem liberar metais pesados no organismo.
Efeitos no cérebro
Quando a nicotina é inalado, ela ativa a liberação de substâncias cerebrais como a dopamina, que está ligada à sensação de prazer e reforça a dependência. Essa substância também pode interferir em funções importantes como atenção, aprendizado e memória. A exposição constante à nicotina aumenta o risco de desenvolver ansiedade, depressão e outros transtornos mentais.
Efeitos nos pulmões
O uso de vapes pode levar a problemas respiratórios, como tosse, dor no peito e falta de ar. Existe uma condição chamada EVALI (lesão pulmonar associada ao uso de cigarro eletrônico ou vaporizador), que pode causar danos sérios ao sistema respiratório. Suspeita-se que aditivos como o acetato de vitamina E contribuam para essas lesões. Com o tempo, o uso prolongado de vapes pode até elevar o risco de câncer de pulmão.
Impactos na boca
Os componentes químicos presentes no vapor — como o propilenoglicol e aromatizantes — podem causar ressecamento da boca, alterar a composição da saliva e da superfície dos dentes, favorecendo cáries, problemas gengivais, lesões na mucosa oral e outras doenças periodontais, podendo até levar à perda de dentes.
Riscos para o coração e vasos sanguíneos
A nicotina atua como um estimulante do sistema nervoso, o que pode elevar a frequência cardíaca e a pressão arterial. A hipertensão é um fator de risco conhecido para infartos e acidentes vasculares cerebrais. Além disso, as substâncias químicas do vapor podem danificar os vasos sanguíneos, facilitando o acúmulo de gordura nas paredes e o desenvolvimento de placas que obstruem o fluxo sanguíneo.
Propagação e uso crescente
Mesmo com a venda proibida no Brasil, o uso de vapes tem aumentado significativamente nos últimos anos, com taxas de crescimento elevadas. Estudos científicos e especialistas destacam que muitos produtos contêm concentrações de metais pesados acima dos níveis considerados seguros, o que reforça a necessidade de políticas públicas mais eficazes para reduzir os danos desses dispositivos à saúde.
Mitos comuns sobre cigarros eletrônicos
1. Não geram tabagismo passivo
Embora não produzam a mesma fumaça de um cigarro convencional, o aerossol exalado pelo vape pode se espalhar e atingir outras pessoas, provocando irritação nos olhos, alergias e infecções respiratórias.
2. Ajudam a parar de fumar
Originalmente promovidos como uma forma de auxiliar no abandono do cigarro tradicional, os vapes ainda liberam quantidades significativas de nicotina e não há evidências sólidas de que realmente eliminem o vício.
3. Evitam o uso do cigarro comum
Pesquisas indicam que adolescentes e jovens que usam vapes têm maior probabilidade de experimentar cigarros convencionais, o que pode levar a uma dupla dependência.