ISTs podem não apresentar sintomas, fique atento aos tipos mais comuns e entenda como identifica-las
Mesmo sem sinais aparentes, infecções sexualmente transmissíveis podem continuar no organismo e provocar complicações. Testagem, prevenção e diagnóstico precoce são fundamentais para proteger a saúde
Nem sempre uma infecção sexualmente transmissível (IST) dá sinais de que está presente no organismo. Em alguns casos, a pessoa pode passar semanas, meses ou até anos sem perceber alterações no corpo e, ainda assim, estar infectada e transmitir o agente causador para outras pessoas.
Esse comportamento silencioso é um dos principais desafios no diagnóstico das ISTs. Infecções como clamídia, gonorreia, sífilis, HPV e HIV podem evoluir sem sintomas perceptíveis, o que faz com que muitas pessoas só descubram a condição durante exames de rotina ou quando surgem complicações.
De acordo com o Ministério da Saúde, algumas ISTs, quando não diagnosticadas e tratadas, podem provocar consequências importantes, como infertilidade, câncer e outros problemas de saúde. Por isso, não apresentar sintomas não significa que está tudo bem: a testagem é uma das principais formas de identificar essas infecções.
Quais ISTs podem não apresentar sintomas?
Entre as infecções que podem permanecer silenciosas estão:
- Clamídia: causada por uma bactéria, pode atingir os órgãos genitais, o reto e outras regiões. É frequentemente assintomática, principalmente entre as mulheres. Quando aparecem, os sinais podem incluir corrimento, dor ao urinar e dor pélvica. Sem tratamento, pode provocar doença inflamatória pélvica e problemas de fertilidade.
- Gonorreia: também é uma infecção bacteriana e pode atingir órgãos genitais, garganta, reto e olhos. Muitas pessoas não apresentam sintomas, especialmente quando a infecção está localizada no colo do útero, na garganta ou no reto. Quando existem manifestações, podem ocorrer corrimento e ardência ao urinar.
- Sífilis: causada pela bactéria Treponema pallidum, apresenta diferentes estágios. Depois das manifestações iniciais, a infecção pode entrar em uma fase latente, sem sinais ou sintomas aparentes. Mesmo assim, continua sendo necessário realizar o tratamento para evitar complicações futuras.
- HPV: o papilomavírus humano pode permanecer sem manifestações visíveis. Alguns tipos provocam verrugas genitais, enquanto outros estão associados ao desenvolvimento de câncer, especialmente no colo do útero, ânus e outras regiões.
- HIV: o vírus da imunodeficiência humana pode permanecer durante anos sem apresentar sintomas evidentes. Nesse período, continua atuando no sistema imunológico. Sem diagnóstico e tratamento, a infecção pode evoluir para a aids.
- Tricomoníase: causada por um parasita, pode não apresentar sintomas em muitas pessoas. Quando aparecem, as manifestações incluem coceira, irritação e alterações no corrimento genital.
Como descobrir se tenho uma IST?
A ausência de sintomas não é suficiente para descartar uma infecção. Por isso, pessoas que tiveram relações sexuais sem preservativo ou passaram por alguma situação de possível exposição devem procurar um serviço de saúde para avaliar a necessidade de testagem.
Os exames variam de acordo com a infecção investigada. Entre os métodos utilizados estão:
- Exames de sangue: ajudam a identificar infecções como HIV, sífilis e hepatites virais.
- Exames de urina: podem ser utilizados para investigar clamídia e gonorreia.
- Coleta de secreções: amostras vaginais, uretrais, anais ou da garganta podem ser solicitadas conforme a exposição e a suspeita clínica.
- Exames específicos para HPV: podem incluir testes de detecção do vírus e exames de rastreamento do colo do útero, conforme a idade e as recomendações de saúde.
O Ministério da Saúde disponibiliza testes rápidos gratuitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para diagnóstico de HIV, sífilis e hepatites B e C. Dependendo do teste, o resultado pode ser obtido em até 30 minutos.
É importante lembrar que existe um intervalo entre a exposição ao agente infeccioso e o momento em que determinado exame consegue identificar a infecção. Esse período é chamado de janela imunológica e varia conforme a IST e o tipo de teste. Por isso, um resultado negativo logo após uma relação de risco pode não ser suficiente para descartar a infecção. Um profissional de saúde pode orientar sobre o momento adequado para realizar ou repetir os exames.
Como é feito o tratamento?
O tratamento depende do tipo de infecção diagnosticada. Algumas ISTs têm cura, enquanto outras não podem ser eliminadas completamente do organismo, mas podem ser controladas com acompanhamento e medicamentos.
Infecções bacterianas, como clamídia, gonorreia e sífilis, são tratadas com antibióticos específicos. A tricomoníase, por sua vez, é tratada com medicamentos antiparasitários.
Já as infecções virais exigem cuidados diferentes. No caso do HIV, o tratamento é feito com medicamentos antirretrovirais, que controlam a multiplicação do vírus e permitem que a pessoa tenha qualidade de vida. O HPV não possui um medicamento que elimine diretamente o vírus, mas as verrugas e as lesões que podem surgir são tratadas conforme cada caso.
Em todos os casos, é importante seguir as orientações médicas, evitar a automedicação e avaliar a necessidade de testagem e tratamento das parcerias sexuais. Interromper o tratamento por conta própria ou utilizar medicamentos sem prescrição pode comprometer os resultados e favorecer complicações.
Como prevenir as ISTs?
A prevenção envolve diferentes cuidados, que podem ser combinados de acordo com as necessidades de cada pessoa. Entre as principais medidas estão:
- Utilizar preservativos: a camisinha externa ou interna reduz o risco de transmissão de diversas ISTs e deve ser utilizada nas relações sexuais vaginais, anais e orais. Entretanto, não oferece proteção total contra infecções transmitidas pelo contato direto com áreas da pele que não ficam cobertas, como pode ocorrer com HPV e herpes.
- Manter a vacinação em dia: as vacinas contra HPV e hepatite B ajudam a prevenir infecções e suas complicações.
- Realizar testes regularmente: a testagem permite identificar infecções mesmo quando não existem sintomas. A frequência deve considerar o histórico e as possíveis situações de exposição.
- Não compartilhar objetos perfurocortantes: agulhas, seringas e outros instrumentos que possam entrar em contato com sangue devem ser individuais ou devidamente esterilizados.
- Conhecer as estratégias de prevenção combinada: PrEP e PEP são métodos medicamentosos de prevenção do HIV. A PEP deve ser iniciada o mais rápido possível, em até 72 horas após uma possível exposição, e é disponibilizada gratuitamente pelo SUS.
Cuidar da saúde sexual também significa não esperar o aparecimento de sintomas para procurar atendimento. A informação, a prevenção e a testagem são ferramentas importantes para identificar infecções precocemente, iniciar o tratamento adequado e evitar a transmissão.