Sono e ciclo menstrual: por que você pode dormir pior em alguns dias do mês?
Sabe aquela noite mal dormida sem motivo aparente que, dois dias depois, a menstruação chega e você entende o que estava acontecendo? As oscilações hormonais do ciclo menstrual podem influenciar a qualidade do descanso, provocar despertares durante a madrugada e até aumentar a sensação de cansaço. Entenda por que isso acontece
Nem sempre uma noite ruim de sono está relacionada ao estresse, à preocupação ou a alguma mudança na rotina. Para algumas mulheres, a dificuldade para adormecer, os despertares durante a madrugada e até a vontade de dormir mais podem acompanhar as diferentes fases do ciclo menstrual.
Isso acontece porque, ao longo do mês, os níveis de hormônios como estrogênio e progesterona passam por alterações que também repercutem no funcionamento do organismo, inclusive na regulação do sono. Essas mudanças podem influenciar tanto a facilidade para adormecer quanto a profundidade e a continuidade do descanso.
Como o sono muda em cada fase do ciclo menstrual?
Para entender essa relação, é importante lembrar que o ciclo menstrual não se resume aos dias de sangramento. Ele começa no primeiro dia da menstruação e envolve diferentes etapas, marcadas por alterações hormonais que podem repercutir no sono.
Menstruação
Durante a menstruação, os níveis de estrogênio e progesterona estão baixos. Nessa fase, o descanso pode ser prejudicado por fatores como cólicas, dores de cabeça, desconforto abdominal e outros sintomas associados ao sangramento.
Fase folicular
Depois do início da menstruação, começa a fase folicular, período em que os níveis de estrogênio aumentam gradualmente enquanto o organismo se prepara para a ovulação.
Algumas mulheres relatam melhora na disposição e na qualidade do sono nessa etapa. Pesquisas apontam que níveis mais elevados de estrogênio podem estar associados a um descanso melhor, embora essa relação não seja igual para todas.
Ovulação
A ovulação acontece quando o ovário libera um óvulo, geralmente na metade do ciclo, embora o momento varie de uma mulher para outra.
Nessa etapa, algumas mulheres podem perceber noites de sono mais tranquilas. A possível relação entre o aumento do estrogênio e a melhora da qualidade do descanso é uma das explicações estudadas para esse padrão.
Fase lútea e período pré-menstrual
É na fase lútea, que começa depois da ovulação e termina com a chegada da próxima menstruação, que algumas mulheres percebem mais mudanças no sono.
Nesse período, a progesterona aumenta e atinge níveis mais elevados. Estudos apontam que essa fase pode estar associada a mais despertares durante a madrugada, redução de determinadas etapas do sono profundo e maior dificuldade para adormecer ou permanecer dormindo.
Nos dias que antecedem a menstruação, os níveis de estrogênio e progesterona começam a cair. É também quando podem aparecer sintomas da tensão pré-menstrual (TPM), como irritabilidade, alterações de humor, inchaço, sensibilidade nas mamas e dores de cabeça. Esses desconfortos podem contribuir para noites mal dormidas.
O que fazer para dormir melhor?
Embora não seja possível impedir as oscilações hormonais naturais do ciclo menstrual, alguns cuidados podem ajudar a melhorar a qualidade do descanso e minimizar os desconfortos.
Manter horários regulares para dormir e acordar, preparar um ambiente silencioso, escuro e confortável e evitar refeições muito pesadas próximo da hora de deitar são medidas que favorecem o sono.
A prática regular de atividade física também pode contribuir para noites melhores. Já atividades relaxantes antes de dormir, como meditação, respiração profunda e alongamentos leves, podem ajudar a reduzir a tensão e facilitar o momento de descanso.
Outra estratégia é observar o próprio ciclo. Registrar os dias de menstruação, a qualidade do sono, os despertares noturnos e os sintomas apresentados pode ajudar a identificar padrões e perceber em quais períodos do mês as dificuldades aparecem com mais frequência.
É importante lembrar que cada organismo responde de uma maneira às alterações hormonais. Mulheres que utilizam contraceptivos hormonais, por exemplo, podem apresentar padrões diferentes daqueles observados em ciclos menstruais naturais.
Se a dificuldade para dormir for persistente, comprometer as atividades do dia a dia ou vier acompanhada de sintomas pré-menstruais muito intensos, vale procurar orientação profissional para investigar as possíveis causas e avaliar as opções de cuidado.