Avanços e Cuidados da Doença de Alzheimer

Avanços e Cuidados da Doença de Alzheimer

Números de casos do Alzheimer, doença que atinge exclusivamente idosos, pode aumentar nos próximos anos

Diagnosticada pela primeira vez em 1906, a doença recebe o nome do neuropsiquiatra que a descobriu Alzheimer, um transtorno neurodegenerativo progressivo, ou seja, uma doença que atinge o cérebro e causa a perda de funções dos neurônios continuamente. Costuma atingir pessoas a partir dos 65 anos, e tem sintomas bem parecidos com outras demências como: problemas de memória, dificuldade de raciocínio, desorientação, mudanças de humor e comportamento. Dados apontam que diante do envelhecimento populacional o número de casos pode triplicar até 2050. Ainda não existe uma cura, dessa forma, o tratamento são cuidados paliativos, que de acordo com o Ministério da saúde são atos de cuidado que buscam aliviar o sofrimento físico, emocional, social e espiritual, de pessoas que convivem com doença terminal, através de suporte integral à saúde. 

Com tendência de crescimento, saiba diferença entre Alzheimer e demência 

Com o crescente envelhecimento populacional, fruto de mudanças comportamentais que reduziram as taxas de fecundidade, aumentaram a expectativa de vida e baixaram a taxa de mortalidade. Surgem preocupações sobre a qualidade de vida na terceira idade, que em breve será a maioria da população, entre elas a doença de Alzheimer se apresenta como possível maior desafio. 

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de pessoas com algum tipo de demência deve triplicar até o ano de 2050. No Brasil, a realidade já é preocupante: em 2023, o país registrou cerca de 1,2 milhões de casos, e estimativas do Ministério da Saúde apontam que aproximadamente 100 mil novos diagnósticos são feitos todos os anos. Esses dados revelam tendência de aumento nos casos de demência, embora muito associados, ela e a doença de Alzheimer (DA) não são a mesma coisa. A demência é uma síndrome identificada por alterações das funções cognitivas que resulta em mudanças na memória, raciocínio e/ou comportamento, dificuldades no planejamento, organização e resolução de problemas, afetando atividades habituais do paciente. Pode ser causada por diferentes doenças que compartilham os mesmos sintomas, surgir depois de um acidente ou de um derrame cerebral, a maioria dos casos acontece na velhice, mas pode acontecer também em outras fases da vida. Existem alguns tipos como: a demência vascular (fruto de

AVCs múltiplos, os sintomas começam de repente e evoluem em saltos, o paciente pode ficar um tempo estável e depois ter uma piora brusca); a demência frontotemporal (atinge áreas do cérebro ligadas ao comportamento, personalidade e linguagem gerando mudanças nessas áreas); a demência com corpos de Lewy (causada por acúmulo de depósitos fora do normal de proteínas no cérebro, o paciente apresenta alucinações e oscilações na atenção e consciência); e o tipo mais comum a doença de Alzheimer (ocorre devido à morte progressiva de neurônios, o principal sintoma apresentado é perda de memória recente). Ou seja, a doença de Alzheimer é um tipo de demência. 

Como o Alzheimer se desenvolve, quem está mais exposto e o que fazer para prevenir 

De acordo com especialistas, a doença de Alzheimer caracteriza-se pela morte e forte perda de neurônios cerebrais em regiões responsáveis por funções cognitivas como atenção, memória, raciocínio, linguagem, percepção e resolução de problemas. A partir dessas perdas, algumas alterações acontecem no cérebro do paciente. Ocorre o acúmulo de fragmentos de proteínas defeituosas chamadas beta-amiloides nas paredes dos vasos sanguíneos e entre neurônios, filamentos incomuns da proteína responsável por transportar nutrientes, chamada proteína tau, também começam a se amontoar. Como resultado desses acúmulos uma espécie de emaranhados é formado dentro dos neurônios (neurofibrilares , NFT), gerando a perda neuronal e destruição das sinapses, que são os pontos de comunicação entre neurônios, ou seja, reduzem aos poucos o tamanho de algumas áreas do cérebro. Na tentativa de reparar os danos, o cérebro ativa a glia (células de suporte do sistema nervoso), mas no caso, essa ativação acontece de maneira exagerada e se torna prejudicial. 

Os fatores que podem aumentar as chances de uma pessoa desenvolver Alzheimer são variados, complexos e estudados ainda hoje. Entre eles o envelhecimento é o mais conhecido, mas há ainda aspectos genéticos, histórico de casos na família (os filhos pacientes afetados pela doença têm 50% de chance de ser afetados também), colesterol elevado, tabagismo (fumo), alcoolismo, isolamento social e perda de audição. Estudos apontam que pessoas com síndrome de Down têm maiores chances de desenvolver a doença, pois segundo especialistas o primeiro gene da doença de Alzheimer está presente no cromossomo 21, o cromossomo extra envolvido na síndrome de Down. Outros aspectos como baixa escolaridade, histórico de depressão, perda da capacidade visual não tratada e doenças vasculares estão sendo estudados. Algumas medidas simples e cotidianas podem ajudar a diminuir os riscos da doença que ainda é incurável, como: praticar exercícios físicos, dormir bem, e principalmentemanter a mente ativa ( com leituras, cruzadinhas, caça palavras e pinturas) , aprender coisas novas como tocar um novo instrumento musical e meditar. 

Quando a memória falha, o cuidado resiste: o Alzheimer sob o olhar de uma filha 

Elbeane Bitencourt, filha e cuidadora do senhor Erinésio Bitencourt, conversou conosco sobre a experiência de lidar com a doença. Um dos primeiros sintomas do Alzheimer é o esquecimento de eventos recentes, e foi exatamente o que aconteceu com o senhor Erinésio, “[…] a gente sempre gostou de assistir futebol. Teve um domingo à tarde que a gente assistiu um jogo, eu, ele e meu irmão, um jogo com muita adrenalina, a gente torcendo bastante. E no outro dia ele veio me perguntar: Elby, o Flamengo joga que dia?”. Esse episódio ligou um alerta na família e depois de outros parecidos, o diagnóstico de Alzheimer chegou. Com o reconhecimento da doença, a rotina familiar mudou, a filha começou a ficar diariamente na casa de seus pais: “Minha vida, depois do diagnóstico de meu  pai mudou completamente. Não só a minha, mas a de todo mundo da família, porque é aquela situação que meu pai já não pode ficar sozinho. Tudo que eu vou fazer, primeiro eu tenho que ver quem é que vai ficar aqui com meu pai […] eu só vou à minha casa de visita […].” 

Diante de tantas mudanças essa experiência é repleta de desafios, como relata Elbeane: “É uma experiência, vamos dizer, difícil, dolorosa, porque se trata de um ente querido, de alguém que você ama. Mexe muito com o emocional da gente […] no dia a dia a gente vai se acostumando, mas não é fácil. Os desafios são muitos, tem que ir se adaptando a alguma situação nova”. O diagnóstico veio em 2021, atualmente a doença evoluiu: “do final de 2023 pra cá, a doença evoluiu de uma hora pra outra […] Eu ‘tô’ aprendendo no dia a dia a lidar com a doença, a reconhecer quando meu pai tá agitado, quando meu pai tá precisando de alguma coisa, porque hoje ele não sabe mais dizer nada, se tá sentindo dor, onde é que tá doendo”. Apesar de todos os desafios a cuidadora destaca o prazer em devolver o cuidado para seu pai: “eu digo que é gratificante também, porque eu ‘tô’ podendo cuidar do meu pai, agradeço a Deus todos os dias por eu poder tá aqui cuidando de quem um dia cuidou de mim […] E eu sou grata por poder tá aqui dando o meu melhor”.  

Por se tratar de uma doença terminal, o tratamento visa amenizar o sofrimento e proporcionar a maior autonomia possível para o paciente. Cuidados paliativos são aplicados em todo processo para diminuir o sofrimento físico, emocional, social e espiritual do enfermo, e podem auxiliar também os familiares no entendimento do processo natural da vida, que em algum momento vai precisar lidar com a falta do seu ente querido. Quanto mais cedo é feito o diagnóstico, mais tempo de autonomia o paciente terá, pois é possível atrasar os efeitos da doença com acompanhamento médico, estímulo de habilidades cognitivas, convívio social e atividades prazerosas. 

Últimas Matérias

Pediatras alertam para aumento de autoagressão entre adolescentes

Pediatras alertam para aumento de autoagressão entre adolescentes

A cada 10 minutos, pelo menos um caso de autoagressão envolvendo adolescentes com idade entre 10 e 19 anos é...

Por hora, 14 crianças são internadas por acidentes; saiba como evitar

Por hora, 14 crianças são internadas por acidentes; saiba como evitar

Em 2024, 121.933 crianças e adolescentes até 14 anos foram internados no Brasil vítimas de acidentes. Em média, são 334...

Pediatras pedem aprovação de lei com licença-paternidade de 1 mês

Pediatras pedem aprovação de lei com licença-paternidade de 1 mês

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou nesta terça-feira (5) uma carta aberta a parlamentares brasileiros pedindo a aprovação de...

Quer que seu filho se exercite? Estudo ensina como você pode influenciá-lo

Quer que seu filho se exercite? Estudo ensina como você pode influenciá-lo

“Os filhos são o espelho dos pais” é uma frase batida, porém descreve a realidade em determinados contextos. Foi o...