Novo protocolo do SUS para diagnóstico de autismo em adultos busca reduzir subnotificações e ampliar acesso ao cuidado

Novo protocolo do SUS para diagnóstico de autismo em adultos busca reduzir subnotificações e ampliar acesso ao cuidado

Medida inédita no Brasil atende uma demanda histórica e pode beneficiar milhares de pessoas que enfrentam dificuldades para receber o diagnóstico tardio
O Ministério da Saúde anunciou, neste mês, a criação de um protocolo nacional para diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) em adultos, a ser implementado no Sistema Único de Saúde (SUS). A informação foi divulgada pela Agência Brasil, veículo oficial da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). A medida representa um avanço importante para a saúde pública brasileira, já que o país ainda não contava com uma diretriz voltada especificamente para essa população.

De acordo com o governo federal, a iniciativa busca padronizar os critérios clínicos, orientar os profissionais de saúde e facilitar o acesso ao diagnóstico para pessoas adultas que, por diferentes razões, não foram identificadas na infância. Estima-se que o Brasil tenha cerca de 2 milhões de pessoas com autismo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mas esse número pode ser maior, já que muitos adultos não têm diagnóstico formal.

O novo protocolo será desenvolvido em parceria com a comunidade científica, representantes de associações de familiares e pessoas autistas, e deve ser concluído até o segundo semestre de 2025. A proposta inclui orientações para avaliação clínica, entrevista diagnóstica estruturada e encaminhamento para serviços especializados.

Desafios do diagnóstico em adultos

Especialistas apontam que o diagnóstico tardio ainda é uma realidade comum no Brasil. Muitos adultos, especialmente mulheres, passam anos sem compreender comportamentos, dificuldades sociais ou questões sensoriais que carregam desde a infância. O acesso a profissionais capacitados, a falta de conhecimento sobre o autismo adulto e o estigma social são alguns dos principais obstáculos.

“Esse protocolo pode representar um divisor de águas. O reconhecimento formal do diagnóstico é o primeiro passo para o acesso a direitos, acompanhamento adequado e melhoria da qualidade de vida”, avalia a médica psiquiatra Eliane Ramos, pesquisadora em neurodesenvolvimento.

Tratamento e acompanhamento multidisciplinar

Embora o autismo não tenha cura, o acompanhamento especializado pode trazer ganhos significativos na autonomia, bem-estar emocional e inclusão social. O tratamento do TEA envolve uma abordagem multidisciplinar, que pode incluir psicoterapia, terapia ocupacional, acompanhamento psiquiátrico, fonoaudiologia, entre outros recursos.

O SUS oferece atendimentos por meio da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência, além de Centros Especializados em Reabilitação (CER) e ambulatórios de saúde mental. A inclusão do novo protocolo tende a fortalecer essa rede de apoio, especialmente para adultos que ainda buscam respostas sobre sua trajetória.

O que muda na prática

Com o protocolo, os profissionais da Atenção Primária à Saúde receberão capacitação para identificar sinais do espectro autista em adultos, acolher as demandas dos pacientes e realizar os encaminhamentos necessários. A medida também visa integrar os dados diagnósticos ao sistema nacional de informação em saúde, permitindo maior controle e planejamento de políticas públicas.

Caminhos para a conscientização

O anúncio do protocolo acontece em um momento estratégico: abril é o mês de conscientização sobre o autismo. A expectativa é de que a nova medida ajude a reduzir o número de casos subnotificados e amplie o debate sobre inclusão e neurodiversidade no país.
Para mais informações sobre o autismo, tratamento e os serviços disponíveis, acesse o site do Ministério da Saúde ou procure a Unidade Básica de Saúde mais próxima.

 

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