Nunca se falou tanto em melatonina: o que está por trás do aumento dos problemas de sono
Dormir bem tem se tornado um desafio para cada vez mais brasileiros. Prova disso é o crescimento expressivo nas buscas por melatonina nos últimos anos. O hormônio, diretamente ligado ao ciclo do sono, passou a ocupar o centro das discussões sobre qualidade de vida, insônia e saúde mental.
De acordo com levantamentos recentes, o interesse pela melatonina aumentou mais de 150% nos últimos cinco anos. O dado chama atenção e revela uma preocupação crescente da população com noites mal dormidas, cansaço constante e dificuldade para desligar a mente antes de dormir.
O que é a melatonina e qual sua função
A melatonina é um hormônio produzido naturalmente pelo organismo, principalmente durante a noite, quando há pouca luz. Sua principal função é regular o relógio biológico, sinalizando ao corpo que é hora de desacelerar e dormir.
Quando esse processo funciona bem, o sono acontece de forma natural. No entanto, hábitos modernos como uso excessivo de telas, rotina irregular e exposição constante à luz artificial podem interferir na produção do hormônio, prejudicando o descanso.
A melatonina resolve a insônia?
Apesar da popularidade, a melatonina não é considerada um tratamento definitivo para a insônia, especialmente nos casos crônicos. Diferente de medicamentos indutores do sono, ela não atua diretamente como um “sonífero” e nem garante que a pessoa permaneça dormindo durante toda a noite.
O que especialistas e estudos reforçam é que o principal caminho para melhorar o sono continua sendo a adoção da chamada higiene do sono, que inclui mudanças simples, mas eficazes no dia a dia.
Entre elas estão:
- Dormir e acordar sempre nos mesmos horários;
- Evitar telas de celular, televisão e computador antes de dormir;
- Manter o quarto escuro, silencioso e confortável;
- Reduzir o consumo de cafeína à noite.
Quando a melatonina pode ser útil
Em situações específicas, como o jet lag, causado por viagens entre fusos horários, ou em distúrbios do ritmo biológico, a melatonina pode ajudar a reajustar o ciclo do sono. Nesses casos, ela auxilia o organismo a entender o novo horário de descanso.
Ainda assim, o uso deve ser criterioso e feito com atenção às orientações de segurança.
Quem deve evitar o uso
No Brasil, a melatonina é classificada como suplemento alimentar, com limites de dosagem estabelecidos. Mesmo assim, não é indicada para crianças e adolescentes, além de gestantes e lactantes. Pessoas que realizam atividades que exigem atenção constante também devem ter cautela.
O que dizem os estudos mais recentes
Pesquisas apontam que o uso da melatonina por curtos períodos costuma ser bem tolerado, com efeitos colaterais leves, como sonolência ao acordar, dor de cabeça ou tontura. Já o uso prolongado ainda gera debates e segue sendo estudado, especialmente em relação aos possíveis impactos a longo prazo.
Dormir bem vai além de suplementos
O aumento das buscas por melatonina reflete uma necessidade maior: cuidar do sono como parte essencial da saúde. Mais do que recorrer a suplementos, investir em rotina, autocuidado e equilíbrio é o caminho mais seguro para noites realmente restauradoras.