Redes sociais e os reflexos na saúde de crianças e adolescentes
O uso cada vez mais precoce e prolongado das redes sociais tem provocado mudanças significativas na rotina, no comportamento e na saúde de crianças e adolescentes. O tema tem mobilizado famílias, educadores e profissionais da saúde, diante do aumento de queixas relacionadas à ansiedade, distúrbios do sono, alterações posturais e dificuldades de concentração.
De acordo com o médico neuropediatra Sandro Nunes, a exposição excessiva às telas pode impactar tanto a saúde mental quanto a física. “As redes sociais fazem parte da realidade atual, mas o uso sem limites e sem acompanhamento pode desencadear problemas emocionais, afetar a autoestima e interferir no desenvolvimento saudável”, explica o especialista.
Impactos na saúde mental
Entre os principais efeitos observados estão:
• Ansiedade e irritabilidade
• Comparação constante e baixa autoestima
• Cyberbullying
• Dependência digital
• Alterações no sono
A busca por validação social, por meio de curtidas e comentários, pode gerar frustração e insegurança. Além disso, o contato frequente com conteúdos inadequados para a faixa etária contribui para a sobrecarga emocional.
Segundo Sandro Nunes, o cérebro de crianças e adolescentes ainda está em desenvolvimento, o que exige acompanhamento atento dos responsáveis. “O diálogo aberto e o monitoramento são fundamentais para prevenir situações de risco”, orienta.
Reflexos na saúde física
O impacto não se restringe ao campo emocional. O uso prolongado de celulares, tablets e computadores também está associado a:
• Sedentarismo
• Aumento do risco de sobrepeso e obesidade
• Problemas posturais
• Dores musculares e de cabeça
• Fadiga ocular
A substituição de atividades ao ar livre por tempo de tela reduz a prática de exercícios e compromete hábitos saudáveis.
O papel do ECA Digital
Diante desse cenário, ganha destaque o chamado ECA Digital, referência ao debate sobre a atualização do Estatuto da Criança e do Adolescente para o ambiente virtual, também conhecido como Estatuto da Criança e do Adolescente Digital. A proposta busca reforçar a proteção de crianças e adolescentes no ambiente online, garantindo direitos, segurança e responsabilização em casos de violação.
A legislação brasileira já assegura prioridade absoluta à proteção da infância e da adolescência, e a discussão sobre o ambiente digital amplia essa responsabilidade para o universo das redes sociais e plataformas online.
Como os pais podem agir
O pediatra Sandro Nunes recomenda algumas medidas práticas:
• Estabelecer limites de tempo de uso
• Acompanhar os conteúdos acessados
• Incentivar atividades físicas e momentos em família
• Manter diálogo constante sobre riscos e responsabilidades
• Dar exemplo no uso equilibrado da tecnologia
“Não se trata de proibir, mas de orientar. A tecnologia pode ser positiva quando usada com equilíbrio e supervisão”, reforça.
Atenção e prevenção
O cuidado com a saúde mental e física de crianças e adolescentes exige atenção contínua. A família, a escola e os profissionais de saúde desempenham papel conjunto na construção de hábitos saudáveis, tanto no ambiente físico quanto no digital.
A União Médica reforça a importância da orientação pediátrica regular e do acompanhamento multiprofissional sempre que houver sinais de sofrimento emocional ou alterações comportamentais associadas ao uso excessivo das redes sociais.