Se o sol é para todos, a proteção também deveria ser
O recente diagnóstico de carcinoma espinocelular no ex-presidente Jair Bolsonaro reacende um alerta importante que não pode ser ignorado, especialmente agora, com a chegada da primavera e o aumento dos dias quentes e ensolarados: o câncer de pele é uma realidade silenciosa, frequente e, na maioria das vezes, evitável.
Apesar do caso de Bolsonaro não exigir novos procedimentos cirúrgicos, a necessidade de acompanhamento médico contínuo mostra o quão crucial é o diagnóstico precoce e, mais do que isso, a prevenção.
Segundo especialistas, o câncer de pele está diretamente relacionado à exposição solar excessiva, especialmente sem proteção. Pessoas com fototipo mais baixo, que são os brancos, loiros ou ruivos, estão em maior risco, mas todos que se expõem ao sol sem cuidado estão vulneráveis.
O problema é que, em uma sociedade desigual como a nossa, nem todos têm acesso a recursos básicos como protetor solar, que ainda é caro e considerado um produto cosmético, quando deveria ser tratado como item de saúde pública. Isso levanta uma questão urgente: como proteger a população se a principal ferramenta de prevenção é inacessível para muitos?
A proteção contra o câncer de pele precisa ir além do discurso individual. O uso de chapéus, roupas compridas e sombrinhas podem (e devem) ser incentivadas, sobretudo em comunidades de baixa renda, escolas e ambientes de trabalho ao ar livre. Campanhas públicas de conscientização e distribuição gratuita de protetor solar também deveriam ser mais amplas e efetivas, especialmente para trabalhadores expostos ao sol diariamente.
É fundamental estar atento a qualquer alteração na pele: manchas que crescem, mudam de cor, sangram, coçam ou simplesmente não cicatrizam devem ser avaliadas por um dermatologista. Mas, assim como o protetor solar, o acesso ao diagnóstico precoce também precisa ser democratizado. O cuidado com a pele não pode ser um privilégio.
Estamos entrando em uma fase do ano em que a exposição solar aumenta. Não é verão ainda, mas os riscos já estão presentes. E se o sol é para todos, a proteção também deveria ser. Precisamos, sim, reforçar a importância do cuidado individual, mas também exigir políticas públicas que garantam acesso à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento do câncer de pele para toda a população.
A primavera está apenas começando. Que ela traga, junto com o calor, mais consciência, responsabilidade coletiva e igualdade no cuidado com a saúde da pele.