Os psicólogos concordam: assistir novamente a filmes ou séries que já vimos não é perda de tempo ou falta de memória; está relacionado à busca pelo bem-estar
Aquele filme que você já sabe de cor. A série que já foi vista tantas vezes que algumas falas podem ser antecipadas. Mesmo assim, diante de um catálogo de streaming praticamente infinito, a escolha volta a ser a mesma. Para quem olha de fora, o hábito pode parecer falta de memória, preguiça de procurar algo novo ou até uma maneira de “perder tempo”. Mas a explicação pode ser bem mais interessante!
Uma reportagem publicada pelo portal argentino LA NACION reuniu explicações da psicologia para esse comportamento tão comum e mostrou que voltar a assistir a produções conhecidas pode estar relacionado à busca por conforto, regulação emocional, previsibilidade e conexão com experiências do passado.
A ideia central é que rever uma história não significa necessariamente repetir uma experiência de maneira automática. Em determinadas circunstâncias, a familiaridade pode ter uma função emocional.
Por que escolhemos justamente aquilo que já conhecemos?
A contradição é fácil de entender. As plataformas de streaming atualizam seus catálogos constantemente e oferecem uma quantidade enorme de filmes e séries. Ainda assim, muita gente prefere apertar o play em uma produção que já conhece.
Um dos conceitos apresentados na reportagem é o de “reconsumo” de mídia, estudado por Cristel Antonia Russell e Sidney J. Levy em uma pesquisa publicada no Journal of Consumer Research. O trabalho analisa justamente a relação das pessoas com conteúdos que elas consomem novamente.
Nesse contexto, reassistir não seria apenas uma repetição passiva. A experiência pode ser prazerosa e restauradora, além de ajudar o indivíduo a lidar com emoções, atravessar períodos de mudança e se reconectar com aspectos da própria identidade.
Ou seja, às vezes, a intenção não é descobrir o que acontece. É justamente o contrário. É saber exatamente o que vai acontecer.
Uma história inédita exige atenção. É preciso acompanhar personagens, entender conflitos, absorver novas informações e esperar para descobrir como tudo vai terminar. Quando o espectador já conhece a trama, boa parte dessa incerteza desaparece.
Essa previsibilidade pode funcionar como um “refúgio mental”, especialmente em períodos de cansaço ou ansiedade. Ao rever uma série, por exemplo, a pessoa já sabe quais acontecimentos virão, quando determinados conflitos aparecerão e qual será o desfecho.