Arritmia, pressão alta, problemas de memória; os impactos da apneia do sono
Ronco alto, pausas na respiração e cansaço durante o dia podem parecer apenas sinais de uma noite maldormida. Na apneia obstrutiva do sono, porém, as interrupções respiratórias se repetem dezenas de vezes durante a noite e podem reduzir o oxigênio no sangue e aumentar os níveis de dióxido de carbono (CO2). Isso leva a várias consequências negativas para a saúde, como hipertensão, arritmias, insuficiência cardíaca e alterações de memória e concentração.
Um estudo da Universidade Monash, na Austrália, reforça a preocupação. Adultos com mais de 40 anos e apneia apresentaram pior desempenho em testes de memória e mais fatores associados ao risco de demência. Entre aqueles em tratamento, porém, o desempenho foi semelhante ao de pessoas sem o distúrbio, uma pista de que controlar a apneia pode fazer diferença para a saúde cerebral.
O que acontece durante a apneia
Na apneia, os músculos da garganta relaxam durante o sono e podem bloquear parcialmente ou totalmente a passagem de ar. A respiração para por alguns segundos e volta após pequenos despertares, muitas vezes imperceptíveis para a própria pessoa. O processo pode se repetir inúmeras vezes na mesma noite.
Com isso, o organismo sofre quedas repetidas na oxigenação e alterações nos níveis de gás carbônico. A fragmentação do sono ajuda a explicar sintomas como sonolência excessiva, fadiga, irritabilidade e dificuldade de concentração. A longo prazo, a condição também está associada a problemas cardiovasculares.
A prevalência é alta. Dados do projeto Episono, conduzindo em São Paulo, apontaram apneia em 33% da população analisada. O estudo também encontrou maior associação com homens, idade avançada e obesidade. O excesso de peso é um dos principais fatores de risco, mas não é o único. Anatomia das vias aéreas, histórico familiar e consumo de álcool ou sedativos antes de dormir também podem favorecer o distúrbio. Nas mulheres, ocorre principalmente após a menopausa.