Assinou o TCLE? Agora está seguro? Entenda os limites do consentimento

Assinou o TCLE? Agora está seguro? Entenda os limites do consentimento

Por Adriana Guimarães

A crença de que a assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) garante total proteção ao profissional é um equívoco comum e arriscado. Embora o TCLE seja um documento essencial, ele não representa uma blindagem contra responsabilizações, especialmente quando há falhas que poderiam ser evitadas com a orientação adequada.

O primeiro erro fatal é a linguagem técnica que não consegue informar nada ao paciente comum. Por isso, tente sempre traduzir para um vocabulário acessível e que atinja o objetivo de informar o leigo. O juiz quer saber se o paciente realmente compreendeu os riscos, não se você domina termos médicos.

Termos genéricos como “complicações inerentes ao procedimento” são juridicamente inúteis. Seja específico: “sangramento que pode necessitar nova cirurgia (2% dos casos)”, “infecção no local (1% dos procedimentos)”, “cicatrizes visíveis que podem precisar correção”. Números reais demonstram transparência e facilitam a compreensão.

Outro erro comum é o TCLE universal. Botox não é preenchimento, rinoplastia não é abdominoplastia. Cada procedimento tem riscos específicos que devem ser detalhados individualmente. O termo “copiado e colado” não resiste a uma perícia técnica criteriosa.

Outra constatação importante, o TCLE é apenas papel. O processo de esclarecimento é fundamental e precisa estar documentado no prontuário: que perguntas o paciente fez, como foram respondidas, se demonstrou ansiedade ou pressa excessiva, se recebeu tempo adequado para reflexão. Em procedimentos estéticos, onde o paciente busca melhora e não trata doença, essa documentação é ainda mais crucial.

É fundamental atenção redobrada em situações envolvendo pacientes emocionalmente abalados ou sob influência de terceiros. O consentimento obtido nessas condições pode ser considerado inválido e anulado judicialmente. Por isso, registre o estado emocional do paciente e, se necessário, adie o procedimento. No caso de menores de idade, ainda que haja autorização dos responsáveis, é importante documentar que o jovem compreendeu, dentro de sua capacidade, as informações sobre o procedimento.

Em relação aos procedimentos de maior risco, tenha auxiliar presente durante o esclarecimento. Essa testemunha pode ser decisiva em juízo. Fotografe quando relevante, sempre com autorização específica. Mantenha registro de conversas importantes via WhatsApp ou e-mail.

O consentimento livre e esclarecido, portanto, é direito do paciente e dever ético-legal do médico, não estratégia defensiva. Quando elaborado com seriedade, linguagem clara e honestidade sobre limitações e riscos, protege ambas as partes. Mas nunca esqueça: sua melhor defesa continua sendo a boa medicina, executada com competência técnica e cuidado humano. O papel assinado documenta seu compromisso com a transparência, mas não substitui a excelência profissional.

 

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