Canetas emagrecedoras podem ter impacto no tratamento da endometriose? Entenda o que a ciência já sabe
Estudos investigam uma possível relação entre medicamentos à base de GLP-1 e a doença, mas ainda não há evidências clínicas robustas que comprovem sua eficácia no tratamento
Medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras, utilizados principalmente no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, despertam interesse científico por possíveis efeitos relacionados à endometriose. Pesquisas investigam se substâncias associadas a esses medicamentos podem ter alguma relação com os mecanismos inflamatórios envolvidos na doença.
Uma pesquisa publicada em 2022 analisou substâncias presentes no líquido peritoneal de mulheres com endometriose e identificou níveis reduzidos de GLP-1 nesse grupo. O GLP-1 é uma substância envolvida na regulação da glicose e em outros processos metabólicos. Medicamentos como semaglutida e liraglutida atuam nos receptores desse hormônio, sendo utilizados em contextos clínicos específicos.
Outro trabalho, um levantamento internacional sobre o uso de agonistas do receptor de GLP-1 e a experiência de pessoas com endometriose, identificou relatos de mudanças nos sintomas. Entre as participantes que responderam à pergunta correspondente, 64,6% relataram mudanças em pelo menos um sintoma relacionado à doença após iniciar o uso desses medicamentos.
A endometriose é uma doença associada a processos inflamatórios. Por isso, pesquisadores investigam se os possíveis efeitos anti-inflamatórios e metabólicos dos agonistas do receptor de GLP-1 podem ter alguma relevância para a condição.
Os estudos disponíveis levantam perguntas importantes, mas ainda não esclarecem se os medicamentos realmente reduzem a dor, melhoram a qualidade de vida ou interferem na evolução da endometriose. Novas pesquisas clínicas serão necessárias para determinar se existe benefício terapêutico, quais seriam os possíveis riscos e em quais situações o uso poderia ser considerado.