Exercício pode favorecer mecanismos de proteção contra o câncer de cólon, aponta estudo
Pesquisa internacional identificou alterações no sangue após o exercício que, em laboratório, favoreceram o reparo do DNA em células de câncer de cólon
Uma nova pesquisa internacional identificou um possível mecanismo que ajuda a explicar a relação entre a prática de exercícios físicos e a proteção contra o câncer de cólon. O estudo, publicado no International Journal of Cancer, mostrou que alterações provocadas pelo exercício no sangue foram capazes de influenciar células de câncer de cólon em experimentos realizados em laboratório.
A pesquisa foi conduzida por cientistas de diferentes instituições, incluindo a Newcastle University, no Reino Unido. Para o estudo, foram coletadas amostras de sangue de 30 adultos com sobrepeso ou obesidade, antes e imediatamente depois de um teste de ciclismo progressivo.
Os pesquisadores utilizaram essas amostras para analisar como as células de câncer de cólon respondiam ao sangue coletado após a prática de exercício.
O que os pesquisadores observaram?
Os resultados indicaram que o sangue coletado depois do exercício favoreceu o reparo de danos no DNA das células analisadas. Também houve aumento da atividade do gene PNKP, que participa de mecanismos de reparo do material genético.
Além disso, os cientistas observaram alterações em genes relacionados ao metabolismo celular e redução da atividade de mecanismos associados ao ciclo celular, processo envolvido na multiplicação das células. Segundo os pesquisadores, essas alterações ajudam a compreender como o exercício pode produzir efeitos que vão além dos músculos e do gasto energético, provocando respostas em diferentes partes do organismo.
Por que o reparo do DNA é importante?
O DNA é o material que contém as informações genéticas das células e pode sofrer danos ao longo do tempo. O organismo possui mecanismos para identificar e reparar essas alterações. Quando esses mecanismos funcionam adequadamente, ajudam a preservar a estabilidade das células. Por isso, alterações nos processos de reparo do DNA são importantes para a pesquisa sobre câncer.
No estudo, os pesquisadores observaram que o sangue coletado após o exercício acelerou o reparo de danos no DNA das células de câncer de cólon utilizadas nos experimentos. Os participantes forneceram as amostras de sangue, mas os principais experimentos foram realizados posteriormente em células cultivadas em laboratório. Portanto, ainda não é possível afirmar que os mesmos efeitos acontecem dentro de um tumor no organismo humano.
A pesquisa também não estabelece qual seria a quantidade, frequência ou intensidade de exercício necessária para produzir esses efeitos.
O que a descoberta representa?
Para os pesquisadores, os resultados ajudam a esclarecer possíveis mecanismos biológicos por trás da relação entre atividade física e câncer colorretal. A hipótese é que o exercício provoque alterações no ambiente do organismo, incluindo mudanças em substâncias presentes no sangue, que podem influenciar o comportamento das células.
Ainda são necessários novos estudos para identificar quais dessas alterações são mais importantes e verificar se os resultados observados em laboratório também ocorrem em pessoas. Enquanto isso, a descoberta reforça o interesse científico em compreender como a atividade física pode influenciar a saúde em nível celular , além dos benefícios já conhecidos para o coração, músculos, metabolismo e bem-estar.