Férias, viagens longas e dor na coluna: neurocirurgiã alerta para cuidados durante deslocamentos

Férias, viagens longas e dor na coluna: neurocirurgiã alerta para cuidados durante deslocamentos

Com a chegada do período de férias, aumenta o número de pessoas que pegam a estrada ou enfrentam longas horas em aeroportos, ônibus e carros. O que para muitos representa descanso, para a coluna pode significar sobrecarga, principalmente quando há permanência prolongada na mesma posição, má postura e ausência de pausas durante o trajeto.

Segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde, estudos apontam que cerca de 19% da população adulta brasileira relata dor crônica na coluna, problema que já havia atingido aproximadamente 27 milhões de adultos no país em levantamento anterior. No cenário mundial, a Organização Mundial da Saúde informa que a dor lombar afetou 619 milhões de pessoas em 2020 e é considerada a principal causa de incapacidade no mundo.

De acordo com a neurocirurgiã Dra. Camila Moura, viagens longas podem funcionar como gatilho para dores ou agravamento de problemas já existentes.

“Quando a pessoa permanece muitas horas sentada, especialmente em posição inadequada, há aumento da pressão sobre os discos intervertebrais, tensão muscular e redução da circulação. Isso pode provocar dor lombar, cervicalgia e até irradiar para pernas ou braços, dependendo do caso”, explica.

Entre os principais problemas relacionados à coluna estão a lombalgia, a hérnia de disco, a artrose da coluna, a estenose do canal vertebral, alterações posturais e compressões nervosas. A lombalgia, popularmente conhecida como dor na parte baixa das costas, pode ter causas diversas, como má postura, inflamação, hérnia de disco, artrose e sobrecarga muscular.

“Nem toda dor na coluna significa algo grave, mas alguns sinais exigem atenção: dor que desce para a perna, formigamento, dormência, perda de força, dificuldade para caminhar ou alteração no controle da urina e das fezes. Nesses casos, a avaliação médica deve ser imediata”, alerta a neurocirurgiã.

Para prevenir desconfortos durante as viagens, a especialista recomenda pausas a cada duas horas, alongamentos leves, hidratação, atenção à postura e cuidado com o excesso de peso nas malas.

“O ideal é não esperar a dor se tornar incapacitante. A coluna precisa de movimento. Pequenas pausas durante a viagem, ajuste do banco e apoio adequado para a lombar fazem muita diferença”, orienta Dra. Camila.

O tratamento depende da causa e da gravidade do quadro. Em muitos casos, envolve fisioterapia, fortalecimento muscular, mudança de hábitos, controle do peso, medicamentos quando indicados e acompanhamento especializado. A cirurgia é reservada para situações específicas, especialmente quando há compressão neurológica importante ou falha do tratamento conservador.

“A maioria dos pacientes melhora sem cirurgia. Mas quando existe perda de força, compressão severa de nervos ou dor persistente que compromete a qualidade de vida, o neurocirurgião avalia a melhor conduta”, finaliza Dra. Camila Moura.

Fonte: Assessoria de Imprensa

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