SUS começa a oferecer nove novos medicamentos contra o câncer; veja para quais doenças são indicados
Tratamentos contemplam diferentes tipos de tumores, incluindo câncer de mama, próstata, pulmão e rim; oferta começa em centros especializados e deve ser ampliada até o fim de 2026
O Sistema Único de Saúde (SUS) começou a disponibilizar nove novos medicamentos para o tratamento do câncer em diferentes regiões do Brasil. A iniciativa amplia as opções terapêuticas para pacientes com tumores de mama, próstata, pulmão, rim, estômago e tireoide, além de alguns tipos de linfoma e outras doenças oncológicas.
De acordo com o Ministério da Saúde, os medicamentos têm 13 indicações diferentes e a expectativa é beneficiar mais de 116 mil pessoas. A distribuição começou em 20 centros de tratamento, localizados em 17 estados, incluindo a Bahia. A previsão é que a oferta seja ampliada para os demais serviços habilitados até o fim do ano.
Quais são os nove medicamentos oferecidos pelo SUS?
Os medicamentos atendem a indicações específicas, que variam conforme o tipo de câncer, o estágio da doença e as características clínicas de cada paciente. A lista inclui:
- Trastuzumabe: para câncer de estômago e da junção entre o estômago e o esôfago.
- Abemaciclibe: para determinados casos de câncer de mama, conforme características do tumor e comprometimento dos linfonodos.
- Acetato de lanreotida: para tumores neuroendócrinos.
- Pazopanibe: para câncer renal de células claras metastático.
- Rituximabe: para alguns tipos de linfoma e leucemia linfocítica crônica.
- Abiraterona: para diferentes situações de câncer de próstata, conforme a resposta à hormonioterapia e a presença de metástases.
- Gefitinibe: para câncer de pulmão de não pequenas células, em primeira linha de tratamento.
- TSH recombinante (alfatirotropina): para pacientes com câncer diferenciado de tireoide que têm indicação de tratamento com iodo radioativo.
- Sunitinibe: para câncer renal de células claras metastático e para tumores estromais gastrointestinais (GIST) avançados ou metastáticos após falha do tratamento com imatinibe.
A indicação de cada medicamento depende de avaliação da equipe de saúde, os critérios variam conforme o diagnóstico e o quadro clínico.
Acesso a medicamentos de alto custo
A ampliação da oferta é relevante porque alguns desses tratamentos têm preços elevados na rede privada, o que pode dificultar o acesso de pacientes que não conseguem arcar com os custos.
Um dos exemplos é o abemaciclibe, utilizado em situações específicas de câncer de mama e cujo custo pode chegar a centenas de milhares de reais, dependendo do tratamento. Outro avanço é a ampliação das indicações de medicamentos já utilizados na rede pública: o trastuzumabe, por exemplo, passa a contemplar também determinados casos de câncer de estômago.
Segundo especialistas, o acesso a tratamentos adequados pode contribuir para melhorar a qualidade de vida e ampliar a sobrevida de pacientes com câncer. Os resultados, no entanto, dependem de fatores como o tipo de tumor, o estágio da doença e a resposta individual ao tratamento.
Oferta deve chegar a mais serviços até dezembro
A disponibilização dos nove medicamentos faz parte de uma estratégia do Ministério da Saúde para ampliar o acesso à assistência oncológica. A meta anunciada é chegar a 23 novos medicamentos até o fim de 2026, aumentando em 35% as alternativas de tratamento disponíveis na rede pública.
Para viabilizar a ampliação, o governo federal prevê diferentes formas de aquisição e financiamento dos medicamentos, com investimento estimado em R$ 4 bilhões por ano para o conjunto das medidas anunciadas.
A implementação será gradual, com expansão da oferta para outros centros especializados. Por isso, pacientes que acreditam se enquadrar nos critérios devem procurar a equipe responsável pelo tratamento oncológico para verificar se o medicamento é indicado para seu caso e como será realizado o acesso na unidade de atendimento.