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Pesquisas mostram que os ataques cardíacos estão se tornando mais prevalentes entre adultos com menos de 50 anos; resultados são piores para as mulheres

12 de fevereiro de 2024

Evidências crescentes mostram que mais jovens adultos estão tendo problemas cardíacos em comparação com décadas passadas. A causa seria a piora dos hábitos de vida, principalmente a má alimentação e a falta de exercícios. Algumas pesquisas sugerem que as infecções por Covid-19 estão aumentando os danos.

Talvez a tendência mais alarmante seja que, apesar do declínio entre os adultos mais velhos, a proporção de ataques cardíacos entre os adultos mais jovens está aumentando em todo o mundo – o que muitos médicos que falaram com a National Geographic consideram uma emergência de saúde pública. (Os adultos jovens são definidos como pessoas entre 20 e 50 anos.)

Eventos recentes ressaltaram essas preocupações.

A parada cardíaca não é o mesmo que um ataque cardíaco, mas o evento, e vários outros semelhantes, levanta questões mais amplas sobre a saúde cardiovascular e os jovens.

“Os jovens não estão imunes a uma parada cardíaca ou ataque cardíaco, mas muitos pensam que essa ainda é uma doença de pessoas mais velhas”, destaca Ron Blankstein, cardiologista preventivo sênior do Brigham and Women’s Hospital e professor de medicina da Harvard Medical School, em Boston, Estados Unidos. “Mas o que é realmente importante para os jovens saberem é que as doenças cardiovasculares, em sua maior parte, podem ser evitadas se você tomar as medidas certas.”

Ataques cardíacos estão aumentando em adultos jovens

A parada cardíaca ocorre quando o coração sofre um mau funcionamento elétrico e para de bater repentinamente. Isso é diferente de um ataque cardíaco, que ocorre quando o fluxo sanguíneo para o coração é parcial ou totalmente bloqueado.

Como a parada cardíaca pode ser causada por várias condições – como cardiomiopatia (músculo cardíaco espessado), insuficiência cardíaca, arritmias (batimentos cardíacos irregulares) e, sim, ataques cardíacos – é difícil para os médicos estudarem e determinarem se ela está se tornando mais comum em adultos jovens.

Mas as pesquisas mostram que os ataques cardíacos, também chamados de infartos do miocárdio, estão aumentando em pessoas mais jovens. Os sintomas comuns incluem dor ou desconforto no peito; dor que se irradia para a mandíbula, pescoço, costas ou braços; falta de ar; e sensação de fraqueza ou desmaio.

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Um estudo de mais de 2000 adultos jovens internados por ataque cardíaco entre 2000 e 2016 em dois hospitais dos EUA constatou que 1 em cada 5 tinha 40 anos ou menos, e que a proporção desse grupo tem aumentado 2% ao ano na última década.

O estudo, publicado em 2019 no American Journal of Medicine, também constatou que as pessoas com 40 anos ou menos que sofreram um ataque cardíaco têm a mesma probabilidade que os adultos mais velhos de morrer de outro ataque cardíaco, derrame ou outro motivo.

De fato, o aumento de doenças cardíacas entre adultos mais jovens em 2020 e 2021 é responsável por mais de 4% dos declínios mais recentes na expectativa de vida nos EUA, de acordo com um editorial publicado em março na JAMA Network.

Ataques cardíacos: quem está mais em risco?

O problema não é exclusivamente dos Estados Unidos. Pesquisas mostram que adultos no Paquistão e na Índia, por exemplo, também estão sofrendo ataques cardíacos em idades mais jovens. “A doença cardiovascular não conhece fronteiras internacionais”, alerta Blankstein, “e os fatores de risco também não”.

E, embora os ataques cardíacos geralmente atinjam com mais frequência os homens do que as mulheres, estudos recentes sugeriram que mais mulheres jovens estão sofrendo ataques cardíacos em comparação com homens jovens – e que seus resultados são piores.

Uma pesquisa de 2018 publicada na revista Circulation descobriu que a proporção geral de hospitalizações por ataque cardíaco entre pessoas de 35 a 54 anos aumentou de 27% em 1995-99 para 32% em 2010-14. O maior aumento ocorreu em mulheres jovens (21% a 31%) em comparação com homens jovens (30% a 33%).

As mulheres jovens do estudo eram mais frequentemente negras e tinham histórico de pressão alta, diabetes, doença renal crônica e derrame.

Estudos descobriram que os médicos têm maior probabilidade de ignorar os sintomas e subdiagnosticar determinados fatores de risco em mulheres, e têm menor probabilidade de prescrever-lhes medicamentos para ajudar a gerenciar seus riscos.

Quais são os maiores fatores de risco?

A maioria das pesquisas mostra que mais pessoas, especialmente as de diversas origens raciais e étnicas, estão desenvolvendo fatores de risco para doenças cardíacas em idades mais jovens – e que a maioria das pessoas jovens e aparentemente saudáveis que sofrem um ataque cardíaco quase sempre tem pelo menos uma condição subjacente.

Os maiores fatores de risco são pressão alta, diabetes, colesterol alto e obesidade, que podem obstruir e danificar as artérias e os vasos sanguíneos que transportam o sangue rico em oxigênio para o coração.

Embora algumas dessas condições possam ser genéticas, na maioria das vezes elas são causadas por anos de hábitos não saudáveis, como dieta inadequada e estilo de vida sedentário, que geralmente começam na infância, diz Eugene Yang, cardiologista preventivo e presidente do Conselho de Prevenção de Doenças Cardiovasculares do American College of Cardiology.

Jovens adultos não estão cientes dos riscos de um ataque cardíaco

No entanto, a maioria dos jovens adultos não está preocupada. Uma pesquisa realizada em janeiro pelo Wexner Medical Center da Ohio State University revelou que 47% das pessoas com menos de 45 anos não acreditam que correm o risco de sofrer doenças cardíacas; um terço de todos os adultos pesquisados disse que não saberia com segurança se estava sofrendo um ataque cardíaco.

Da mesma forma, apenas metade dos 3500 adultos mais jovens que tinham fatores de risco significativos acreditava estar sob risco de doença cardíaca antes da ocorrência do ataque cardíaco. Um número ainda menor relatou que seus médicos lhes disseram que estavam sob risco, especialmente as mulheres.

Segundo os especialistas, fazer com que os adultos mais jovens se preocupem com a saúde do coração é um desafio único; eles estão ocupados construindo famílias e carreiras, e são a faixa etária com menor probabilidade de ter plano de saúde.

Mas nem tudo é culpa deles. O sistema de saúde não foi projetado para avaliar e tratar de forma eficaz os adultos mais jovens com doenças cardíacas, cita Blankstein, alimentando um preconceito entre os médicos de que os pacientes mais jovens têm baixo risco.

A “calculadora de risco” mais amplamente utilizada, desenvolvida pela American Heart Association (AHA), por exemplo, avalia apenas os riscos para pessoas com idades entre 40 e 75 anos.

Além disso, a maioria dos adultos jovens que sofreram um infarto do miocárdio não seria elegível para tratamento de colesterol de acordo com as diretrizes atuais antes da ocorrência do infarto do miocárdio. As mulheres enfrentam uma elegibilidade ainda menor em comparação com os homens, apesar de fatores de risco semelhantes.

Como reduzir os riscos de ataque cardíaco

A prevenção precoce é fundamental. Quanto mais tempo você viver com fatores de risco, maiores serão suas chances de desenvolver doenças cardíacas e de ter resultados piores mais tarde na vida, especialmente se não for tratado.

“Dê uma boa olhada em seus fatores de risco”, aconselha Mariell Jessup, diretora médica e de ciência da AHA, “e depois desenvolva um plano sobre como você pode lidar com um ou mais desses fatores”.

A AHA recomenda seguir algumas medidas fundamentais que, se praticadas, podem melhorar e manter sua saúde cardiovascular. Isso inclui uma dieta saudável, atividade física regular, não fumar e dormir o suficiente, além de controlar o peso, o colesterol, o açúcar no sangue e a pressão arterial.

“A idade adulta jovem é uma oportunidade fenomenal para a prevenção de doenças cardiovasculares, que andam de mãos dadas com a saúde geral”, diz John Wilkins, professor associado de medicina em cardiologia na Northwestern University Feinberg School of Medicine. “Quanto melhor for o trabalho que pudermos fazer para que os jovens adultos atinjam esses níveis ideais, maior será a chance de eles terem uma vida saudável mais longa.”

Com informações do National Geographic Brasil